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Um projeto lindo em colaboração com a @Komorebitranslations e nós da  @JapasCervejaria <3

 

Para quem não sabe a @komorebitranslations é uma empresa comandada pela Anna Ligia Pozzetti que tem como objetivo construir pontes de comunicação entre o Brasil e o Japão por meio de palavras, seja na forma da tradução e interpretação simultânea ou da cultura e história do Japão, por meio de aulas e workshops. Ou seja, tudo a ver com a nossa cervejaria  que quer espalhar um pouquinho de tudo o que aprendemos sobre essa mistura de culturas e conexões entre o Brasil e o Japão em forma de cada produto que criamos,  resgatando cada vez mais nossa história.

 

E é por causa dessa história que essa colaboração nasceu. Já que as colagens dos rótulos são marca registrada da @japascervejaria e conteúdo é a assinatura da @komorebitranslations, resolvemos unir essas frentes para criar 3 posters exclusivos que vão ilustrar a história de 3 mulheres que mudaram a história do Japão. As colagens serão feitas pela artista e sócia da Japas @ymcollage e serão disponibilizadas de graça para que todo mundo possa fazer download e ter seu próprio poster em casa, decorando a parede com história ou o fundo de tela do seu celular. <3

CONHEÇA 3 MULHERES

QUE MUDARAM A HISTÓRIA DO JAPÃO

Higuchi Ichiyô . 1872 - 1896

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Ichiyô é considerada uma das maiores escritoras da história da literatura japonesa e hoje estampa a nota de 5 mil ienes. 

Apesar da vida sofrida e curta,  Ichiyô deixou uma importante contribuição literária ao denunciar as mazelas sociais que acompanharam o rápido crescimento econômico da Era Meiji (1868-1912). Nos seus textos, o destaque vai para a difícil vida das mulheres que ficavam à margem da sociedade patriarcal da época. Suas personagens sofrem com a pobreza e o desprezo, situações que ela mesma sofreu na pele. 

Uma de suas principais obras é o Nigorie (enseada de águas turvas), de 1895. Como explica a pesquisadora Rika Hagino, trata-se de uma metáfora das condições de vida das prostitutas clandestinas e do contingente miserável da sociedade japonesa da época. Nessa obra, traduzida com maestria pela mesma pesquisadora em sua dissertação, a indignação e o senso de urgência da autora ficam evidentes, dado que o texto tem como base as experiências vividas pela própria autora, que morou em áreas extremamente pobres da cidade de Tóquio.

Ichiyô morou em Maruyama Fukuyamachô, região de Tóquio onde a prostituição clandestina era comum. A atividade era legalizada apenas no bairro de Yoshiwara e era preciso uma licença para desempenhar a função. No entanto, as dificuldades financeiras de muitas famílias da época acabavam demandando o sacrifício das filhas, que eram enviadas para a prostituição como forma de pagamento de dívidas contraídas para a sobrevivência. A família de Higuchi foi morar nesse bairro, pois a família perdeu tudo por conta das dívidas deixadas pelo pai. Ela lutou pela sobrevivência da família trabalhando e, nesse contexto, conviveu com essas mulheres, inclusive ajudando-as com leitura e escrita, visto que muitas eram analfabetas. 

Ichiyô foi a primeira escritora da época a abordar esses assuntos. Foi uma mulher forte, que denunciou as injustiças de um período em que as grandes contradições inerentes ao capitalismo e aos esforços imperialistas do Japão geraram um inegável sacrifício social. Seu olhar de compaixão por esses miseráveis e as denúncias feitas em seus textos seguem sendo uma inspiração para muitos até os dias de hoje.

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Toshiko kishida . 1863 - 1901

A segunda mulher é Toshiko Kishida. Ela é considerada uma das primeiras feministas do Japão. Dona de uma retórica impecável, viajou o país fazendo discursos em prol da igualdade de direitos entre gêneros, defendendo que a conquista desses direitos políticos e econômicos igualitários era o único caminho viável para o progresso. De fato, as próprias leis limitavam essa igualdade.

 

Em 1890, o governo estabeleceu uma lei (Shūkai Oyobi Seisha Hō) que negava às mulheres o direito de participarem de reuniões políticas e até mesmo de falarem sobre o tema em qualquer contexto. Além disso, por conta das diversas referências às noções confucionistas de obediência e lealdade no Código Civil japonês da época, a mulher ficou submetida ao chefe da família, seja ele o pai ou o marido.

 

Um dos seus discursos mais poderosos de que temos registro causou a sua prisão imediata por ter sido considerado de teor político. Na época, usava-se muito a expressão “hakoiri musume” para designar as meninas que viviam isoladas do mundo para serem preservadas, o que as impedia inclusive de estudar. Segundo ela, essa situação as limitava intelectualmente, o que era muito prejudicial também para a sociedade. Segundo Kishida, criar as meninas nesse ambiente era como “cultivar flores no sal”. Na sua lógica, era imprescindível que as meninas estudassem antes de se casarem, para não sofrerem com adversidades. Diante dessa realidade muito comum, Kishida argumentou que as meninas japonesas eram criadas em “caixas”, que representavam limitações físicas e emocionais.

 

Para ela, a única caixa na qual uma mulher deveria ser colocada é tão grande e tão livre quanto o mundo. Assim, seria possível que os seus ocupantes seguissem seus próprios caminhos. Kishida é ainda hoje respeitada pela sua luta por igualdade e segue sendo uma grande inspiração para as mulheres do século XXI.

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Fukuda Hideko . 1865 - 1927

Fukuda Hideko também é considerada uma das primeiras feministas do Japão. Sua família tinha uma pequena escola e sua mãe, com suas ideias progressistas sobre mulheres e educação, a influenciou significativamente.

 

Posteriormente, Hideko também se tornaria professora. Após ouvir um discurso de Toshiko Kishida, Hideko sentiu a urgência da luta pela liberdade e igualdade de gênero e, ao longo de sua vida, fundou três escolas, que durariam pouco tempo pelas adversidades da época. Ela sempre defendeu que as meninas deveriam estudar antes de se casarem, pois era importante que tivessem independência financeira caso fosse preciso.

 

Os esforços para mantê-las funcionando foi imenso e até mesmo aulas noturnas foram organizadas para que mais mulheres pudessem estudar, pois Hideko acreditava que a única forma de as libertar da miséria era por meio da educação.

 

Foi presa no que ficou conhecido como “Incidente de Osaka” (1885), quando foi descoberto o plano do qual ela participava para libertar a Coréia do imperialismo enquanto o Japão e a China lutavam por seu controle durante a Primeira Guerra Sino-Japonesa. Ao ser a única mulher do movimento anti-imperialista, foi aplaudida como heroína e os jornais referiam-se a ela como “Joana D’Arc do Japão”. Criou a revista “Sekai Fujin” (mulheres do mundo) em 1907. O slogan da revista era “emancipação feminina” e seguia a lógica de que as mulheres precisavam ser bem informadas. A revista trazia questionamentos sobre o sistema familiar patriarcal e conteúdos sobre o direito à participação política, biografia de ativistas e sufragistas estrangeiras, questões políticas e sociais do mundo, o problema dos casamentos arranjados e até literatura e culinária.

 

A sua luta pela educação feminina como única forma de emancipação das mulheres segue sendo uma grande inspiração para os que advogam pela igualdade.

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